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Por: Luís Salvador Poldi Guimarães (Dodô)
San Remo é uma cidade do extremo oeste da Itália. Perto da divisa com a França. É uma cidade litorânea entre o Mar de Alborão e o Mar Tirreno. A Conferência de San Remo foi uma reunião em que os países aliados depois de terminada a Primeira Guerra Mundial (1918) resolveram se reunir para conversar. Para eleger que países e que representantes fariam parte da Liga das Nações (futura ONU). No sentido de conversarem sob como iriam se comportar mediante a tomada dos territórios do Oriente Médio anteriormente pertencentes ao Império Otomano. Para fecharem algumas decisões já iniciadas numa conversa anterior já acontecida que foi a Conferência de Londres, já realizadas em Fevereiro deste mesmo ano (1920). Como resultado da Conferência de San Remo coube ao Reino Unido então administrar a Palestina e o Iraque (Iraque não aceitou ser governado pela Inglaterra). E que coube à França a administração do Líbano e da Síria.
Decidiram sobre as regiões a serem administradas, mas não estabeleceram as fronteiras. Como se pode notar esta Conferência de San Remo mantera o que já havia sido tratado no Acordo de Sykes-Picot (19/05/1916 entre França e Reino Unido) já tratadas por nós por diversas vezes no nosso Programa Cultural nas quintas-feiras a partir das 20h00min. Mantendo-se também os ideais do Tratado de Banfour (02/11/1917).
A I Guerra Mundial acabou em 1918 com a derrota da Alemanha e de seu aliado, o Império Otomano. Os vencedores criaram então a Liga das Nações, precursora da ONU. Em abril de 1920 os aliados se reuniram na Conferência de San Remo para definir a administração dos territórios conquistados ao Império Otomano no Oriente Médio.
O Reino Unido recebeu o mandato da Palestina e do Iraque e à França foi entregue o controle da Síria e do Líbano. As fronteiras entre os territórios não foram especificadas.
Em linhas gerais a conferência confirmou os termos do Acordo Sykes-Picot, estabelecido entre o Reino Unido e a França em maio de 1916, que partilhou a região, e também da Declaração Balfour, de novembro de 1917, pela qual o governo britânico assumira o compromisso de estabelecer o Lar Nacional Judeu na Palestina.
As decisões incluíram a criação da nação Síria (incluindo o atual Líbano), a Mesopotâmia e a Palestina, na qual obrigatoriamente deveria ser criado o Lar Nacional Judaico.
Assim a Liga das Nações reconfirma, em 1920, a decisão da criação de um Lar Nacional Judaico prometido por Lord Balfour em 1917 e reconfirmado pelas potências em 1917 e 1919. A atual Jordânia ficou sem a sua devida definição – não se afirmou se seria área de influência francesa ou britânica. Mas, ainda em 1920 a Transjordânia acabou incorporada ao Mandato Britânico.
Em julho de 1922, o Conselho da Liga das Nações aprovou o mandato para a Palestina, incorporando a Declaração Balfour e enfatizando a conexão histórica Judaica com a Palestina. O Artigo 2º tornou o poder mandatário responsável por colocar o país em condições políticas, administrativas e econômicas que garantirão o estabelecimento do Lar Nacional Judaico.
O Artigo 4º autorizava o estabelecimento de uma agência judaica para aconselhar e cooperar com a administração da Palestina em assuntos que afetassem o Lar Nacional Judaico. O Artigo 6º exigia que a administração da Palestina, assegurasse os direitos das outras seções da população e que, sob condições adequadas, facilite a imigração judaica e o estabelecimento dos judeus na terra. A área destinada ao assentamento de judeus incluía a atual Israel e a área da Judeia e da Samaria, mais tarde chamada Cisjordânia (Ao lado do Mar Morto). A Transjordânia deveria receber população judaica e representava três quartos do Mandato Britânico da Palestina. No entanto os ingleses retiraram a Transjordânia da área destinada ao futuro Lar Nacional Judaico, apesar de protestos dos sionistas. A decisão britânica se apoiou no parágrafo 25º das decisões de San Remo.
E permitiu “o adiamento ou a retenção do estabelecimento judaico na parte oriental do rio Jordão”. Em 29 de setembro de 1923, o Mandato Britânico da Palestina entrou em vigor oficialmente pela Liga das Nações – ONU. E Fayal já era rei do Iraque.
Faiçal (Fayal al-Awwal ibn al-Husayn ibn Al? al-H?shim? em árabe) (Rei do Iraque de 23/08/1921 - 08/09/1933 12 anos de reinado. Ele nasceu na Arábia Saudita em Taife.), Hashemita (descendente de Maomé), filho do Emir do Hejaz (atual Arábia Saudita) na época era rei da Síria (só depois foi rei do Iraque) e não aceitou a tutela francesa quando era rei da Síria. Lutou contra eles (franceses) e acabou sendo expulso da Síria. Menos de dois anos mais tarde os ingleses o fizeram Rei do Iraque, por sugestão e apoio de T. E. Lawrence (conhecido como Lawrence da Arábia).
Faiçal, que tinha imensa ascendência sobre os árabes na Grande Síria e também no Iraque bem como na Península Arábica, encontrou-se com o líder sionista Chaim Weizmann, com quem assinou o Tratado Faiçal-Weizmann em 1919. Ou seja, entes de ser rei do Iraque.
Logo após a assinatura (Tratado de Faiçal-Weismann), Faiçal emitiu uma declaração proclamando:
“Nós árabes … vemos o Movimento Sionista com a mais profunda simpatia. Nossa delegada em Paris está plenamente familiarizada com as propostas apresentadas ontem pela Organização Sionista à Conferência de Paz, e nós as consideramos moderadas e adequadas. Faremos o nosso melhor para ajudá-los, na medida em que estamos em concordância: vamos desejar aos judeus um regresso muito caloroso … Estou ansioso, e o meu povo olha comigo à frente, para um futuro em que vamos ajudar a vocês e vocês nos ajudarão, para que os países nos quais nos interessamos mutuamente voltem a ocupar os seus lugares na comunidade dos povos civilizados do mundo”.
As outras autoridades árabes não endossaram as palavras do Rei Faiçal e as lideranças árabes na área da Palestina Britânica incitaram as massas contra os judeus. Ataques a judeus se tornaram corriqueiros em 1920, na região da Galileia. Em abril de 1920 (antes do reinado de Faiçal), na cidade de Jerusalém, as incitações levaram a um massacre de judeus. As autoridades britânicas demoraram muito a intervir, gerando profunda desconfiança na manutenção da ordem pelos britânicos – judeus e árabes perderam a confiança nos Ingleses. Zeev (Zievi = lobo em Hebraico – nome adotado) Jabotinsky (Líder Sionista ucraniano - líder da organização clandestina armada judaica Irgun) decidiu então criar uma infraestrutura de defesa. Nascia naquele ano a Haganá, o primeiro grupo judaico organizado de defesa desde o ano 135 d.C., quando o Imperador Adriano de Roma conquistou e destruiu Betar, dispersando os judeus pelo mundo.
Em 1920 ocorre o massacre de Haifa (cidade do norte de Israel). Onde foram assassinados vários idosos judeus pelos árabes.
Certa manhã de abril de 1920, a França e o Reino Unido deram início a uma conferência em uma pequena cidade na Riviera italiana, com o objetivo de formalizar a divisão do Oriente Médio otomano.
Os franceses ficariam com o Líbano e a Síria, enquanto os britânicos assumiriam o controle do Iraque e da Palestina, conforme acordado na conferência de San Remo, realizada de 19 a 26 de abril de 1920, há 102 anos.
Essa divisão entre as duas grandes potências coloniais da época havia sido acertada quatro anos antes, em uma reunião secreta na qual, com o consentimento da Rússia, o francês François Georges-Picot e o britânico Sir Mark Sykes negociaram o famoso Acordo de Sykes-Picot.
Naquela semana de primavera italiana foi apenas lançada a base não só para as atuais fronteiras do Oriente Médio, mas também para muitos problemas que continuam até hoje.
As consequências do que aconteceu em San Remo são profundas e não apenas pelo que aconteceu naquela conferência. Por muitos anos a França e a Grã-Bretanha tomaram decisões que acabaram criando Estados sem nações, porque as nações não tinham o direito de se expressar.
Muitos dos problemas que vemos hoje na Palestina, no Líbano, no Iraque e na Síria estão obviamente ligados ao que aconteceu em 1920 e depois em 1921, 1922 e 1923.
Isso talvez se deva ao fato de que o primeiro acordo foi feito de forma sigilosa entre François Georges-Picot e Sir Mark Sykes, dois aristocratas que acreditavam na ideia de que as pessoas no Oriente Médio estariam melhor sob o domínio europeu.
Os árabes ignoraram por muitos anos que a França e o Reino Unido estavam tramando um tratado que enterraria uma promessa feita a eles pelos britânicos. O Reino Unido havia dito que, se os árabes se rebelassem contra os otomanos (adversários dos britânicos na Primeira Guerra Mundial), a queda daquele império os tornaria livres e independentes.
A vitória dos Aliados no Oriente Médio durante a Primeira Guerra Mundial foi um dos gatilhos para a desintegração do Império Otomano.
Após esse evento, o mandato francês para a Síria e os mandatos britânicos no Iraque e na Palestina foram criados, conforme planejado, todos sob a supervisão da Liga das Nações (órgão que antecedeu a ONU).
Os britânicos ajudaram os árabes da região a se rebelarem contra o domínio otomano, mas durante a guerra eles fizeram promessas a diferentes grupos. Eles prometeram aos árabes que poderiam governar independentemente a Palestina, prometeram aos franceses que dividiriam alguns dos territórios com eles e há ainda a promessa que fizeram com a Declaração de Balfour.
Mas na Conferência de San Remo, o então primeiro-ministro britânico David Lloyd George, o ex-primeiro-ministro francês Alexandre Millerand, o primeiro-ministro italiano Francesco Nitti e o embaixador japonês Keishir? Matsui concordaram que nem toda a região estava pronta para a independência.
Em San Remo, as conversas se concentraram especialmente nos mandatos dos territórios que a França e o Reino Unido já haviam dividido.
Em particular, houve um longo debate que duraram várias horas sobre o tema da Palestina e a Declaração de Balfour.
Assinada em 2 de novembro de 1917, em plena Primeira Guerra Mundial, a Declaração Balfour era um documento no qual o governo britânico prometia ao povo judeu um "lar" na região da Palestina.
Os britânicos e os franceses planejavam dividir a região do Levante, também conhecida como Levante Mediterrâneo, de maneira sectária (visão estreita, egoísta, sem conhecimento das causas).
O Líbano foi concebido como um refúgio para os cristãos (especialmente os maronitas) e os drusos.
A Palestina seria o lar de uma comunidade judaica considerável, enquanto o Vale do Beca, próximo à fronteira entre o Líbano e a Síria, seria para os muçulmanos xiitas.
Os maronitas são um grupo de católicos que seguem uma doutrina um pouco diferente da Católica Romana. É um grupo católico que habita o Líbano. A partir do ano de 1182 este grupo se aliou aos católicos. Os maronitas possuem um ritual próprio. Trata-se de uma Igreja fundada por São maron. Para se tornar Presidente do Líbano é exigido que a pessoa seja maronita. É governada por um Patriarca, mas que se sujeita ao domínio do Papa.
Já os drusos se dizem religiosos também. Eles dizem que são árabes. E se auto intitulam mulçumanos. O Deus deles é Aláqueme. Eles perseguiram os cristãos no passado. Eles destruíram a Igreja do Santo Sepulcro em 1010 lá em Jerusalém. Eles acreditam na volta de Aláqueme no Final dos Tempos.
A Síria, por sua vez, seria para os muçulmanos sunitas.
Embora a geografia ajudasse a justificar em parte essas fronteiras, a maioria dos especialistas concorda que elas foram feitas basicamente "com um lápis e uma régua", sem um maior conhecimento da região, e que as linhas traçadas por franceses e britânicos não correspondiam às divisões sectárias, tribais ou étnicas do Oriente Médio.
Também houve divergências na Conferência de San Remo. O francês Alexandre Millerand e o britânico David Lloyd George não concordaram totalmente em alguns pontos.
Os franceses apoiaram a inclusão da Declaração Balfour no mandato, mas também queriam que os direitos políticos do povo palestino fossem garantidos. Toda essa questão gerou muito debate.
Necessário destacar que o político e jornalista britânico Leo Amery foi um dos responsáveis pela redação da Declaração de Balfour.
Antes havia dúvidas se haveria um único mandato britânico ou uma área controlada pelos americanos, mas após meses de discussões diplomáticas, os britânicos concordaram em incluir os franceses na reorganização do território.
Os britânicos aceitaram o mandato francês porque simplesmente perceberam que não tinham os meios financeiros para controlar todo o Oriente Médio.
Os americanos, por sua vez, se retiraram das negociações depois que seu Senado rejeitou o Tratado de Versalhes, que marcou o fim da Primeira Guerra Mundial.
A conferência também abordou a questão da Armênia e de como seriam suas fronteiras (os EUA haviam rejeitado a criação de um mandato para a Armênia). Também foram discutidas a possibilidade de um estado curdo e o destino final de certos territórios do Império Otomano.
Com o Tratado de Sèvres, assinado quatro meses depois, em agosto de 1920, os otomanos cederam oficialmente as áreas acordadas, aceitando a criação dos mandatos britânico e francês.
Foi mais um passo para a queda do Império Otomano e a criação da Turquia, que ocorreria três anos depois.
Foi em San Remo que as cláusulas desse tratado foram redigidas.
Inicialmente, o Acordo Sykes-Picot planejava dividir o Oriente Médio em Estados independentes, sujeitos a Londres e Paris, e estabelecer áreas de controle no Iraque.
Mas esse plano foi abandonado com o surgimento em 1919 da ideia de criar mandatos.
Uma vez que isso fosse decidido, a única coisa que faltaria fazer era definir as fronteiras desses mandatos — saber onde terminava a Palestina e começava a Síria.
Em San Remo, as potências coloniais definiram três princípios para criar as fronteiras.
O primeiro defendia uma ligação entre a Palestina e a Bíblia. Lloyd George utilizou o Atlas da Geografia Histórica da Terra Santa, publicado em 1915 pelo reverendo escocês George Adam Smith, para definir os limites da região.
Um segundo princípio era que os franceses não queriam que seu mandato tivesse colônias judaicas.
É assim que o pequeno território entre a Síria e o Líbano, chamado Galileia, acabou sendo incluído no mandato britânico da Palestina e não no mandato francês da Síria, porque ali havia assentamentos judeus.
E, finalmente, o Reino Unido queria que houvesse continuidade territorial entre seus mandatos palestino e iraquiano.
Isso explica o tipo de corredor que vemos hoje que vai da Jordânia ao Iraque, se virmos em um mapa, o que significa que a Síria não tem uma fronteira comum com a Arábia Saudita.
Os árabes por todo o tempo foram contra a criação do Estado de Israel em suas terras. Várias ramificações do sionismo vão surgindo: os sionistas revisionistas desejam também a parte leste do rio Jordão. Outro grupo não desejava a interferência dos britânicos (Irgun e o Lehi).
Mas, aí há o cochilo de Deus e Adolf Hitler assume o poder na Alemanha em 1933, foi nomeado Chanceller. E em 08/09/1933 Faiçal morre. O Rei Faiçal morreu em 8 de Setembro de 1933, aos 48 anos (muito novo). A causa oficial da morte foi um ataque cardíaco enquanto ele estava em Berna, na Suíça, para o exame médico geral. Ele foi sucedido no trono por seu único filho ??z? bin Fay?al e de Ália binte Ali.
O rei Gazi filho de Faiçal I sofreu um acidente de automóvel. E foi substituído pelo seu filho Faiçal II, que governou o Iraque até o ano de 1958.
Em 1 de setembro de 1939, Adolf Hitler invade a Polônia em aliança com os soviéticos e dá início à Segunda Guerra Mundial. Começam as perseguições antijudaicas. Já acontecia o reinado de Faiçal II neto de Faiçal I.
Para relembrar foi no Iraque que surgiu a primeira civilização do mundo os sumérios. Depois chegaram os acádios. Seguidamente houve a invasão dos assírios. Depois surgiu no Iraque a cidade da Babilônia. Onde os judeus foram levados como escravos nos cativeiros da Babilônia (Bíblia). Esta região é onde se estabeleceu o atual Iraque. O Código de Hamurabi nasceu aí. E também a Lei de Talião: “olho por olho, dente por dente”. A escrita cuneiforme também nasceu nestas terras. Terra do Iraque. E como sabemos o Império Babilônico foi derrotado pelo Império Aquemênida do Irã. E assim a história vai...

