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A mesma régua de verdade e justiça deve valer para todos, independentemente de cargo, influência, religião ou vínculo pessoal
Em qualquer ambiente de convivência humana seja na política, na religião, nas instituições ou nas relações pessoais a busca pela verdade e pela justiça deveria ser um princípio inegociável. A régua utilizada para avaliar situações e pessoas precisa ser a mesma, independentemente de quem esteja envolvido.
A própria Bíblia reforça essa ideia ao associar verdade e justiça. Em Efésios 6:14, o ensinamento é para permanecer firme, tendo a verdade e a justiça como referências de conduta.
Nesse sentido, ninguém deveria estar acima da lei. Cargo, dinheiro, profissão, fé ou sobrenome não podem determinar tratamentos diferentes diante de uma denúncia ou suspeita.
Quando houver suspeita, que os fatos sejam investigados. Havendo provas, que cada responsável responda por seus atos. Na ausência delas, deve ser respeitado o direito à presunção de inocência.
Justiça, entretanto, não pode ser confundida com vingança. Também não pode significar proteção para aqueles que estão próximos e rigor para aqueles que são considerados adversários.
É fácil defender a aplicação da lei quando ela alcança alguém de quem discordamos ou que acreditamos merecer uma punição. O verdadeiro desafio aparece quando a investigação envolve alguém de quem gostamos, admiramos ou em quem depositávamos confiança. É nesse momento que a coerência deixa de ser apenas discurso e passa a ser princípio.
A defesa da justiça também deve alcançar os recursos públicos. O dinheiro que pertence à coletividade não pode ser utilizado em benefício de interesses particulares. Quando estão em jogo recursos públicos, a responsabilidade deve ser ainda maior, independentemente de quem esteja sob questionamento.
Diante de denúncias, suspeitas ou possíveis irregularidades na política, na Justiça, nas instituições ou até dentro das igrejas, o princípio deveria ser o mesmo: que os fatos sejam esclarecidos, que a verdade prevaleça e que ninguém seja protegido ou condenado simplesmente por estar do lado de uma determinada preferência.
A coletividade se fortalece quando a sociedade consegue colocar princípios acima de interesses pessoais. Não se trata de desejar o mal a ninguém, mas de defender que cada situação seja analisada com responsabilidade, equilíbrio e respeito ao devido processo.
No fim, a justiça não deve escolher entre Chico ou Francisco. Deve seguir a verdade, ainda que ela seja difícil de aceitar. Porque a coerência só existe quando a mesma régua é aplicada a todos.

